
Escola da Vida


Encontrei hoje um bilhete com horários de atendimento de um hospital. A pouco mais de 8 meses, vivenciei a morte de minha irmã querida. Ela sofreu um acidente e ficou 3 meses enferma, dias muito intensos, difíceis, nublados, tristes, mas de muita união, ressignificação, irmandade, de um amor tão intenso e profundo. Se passaram 8 meses e olho para trás, lembro dela e com esperança, espero que essa alma tão boa e preciosa esteja bem, seguindo o caminho da Luz. Sempre que escuto uma música, choro muito, um choro de gratidão, a música é do Milton Nascimento, Canção da América, onde um trecho diz…
”Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir…”
Só posso agradecer por esse amor puro, por conhecer e ter vivenciado tanta coisa com ela “…O que importa é ouvir a voz que vem do coração….”

Respirar é o primeiro ato essencial para se estar vivo. Trás ensinamentos sobre as Leis que regem o Universo, desde sempre.
Expira e inspira, dá e recebe. É preciso dar algo de si para receber algo em troca, o equilíbrio perfeito.
Porque nas relações entre humanos, temos tanta dificuldade de colocar em prática?
Nos retornos que recebemos da Vida, porque nos sentimos por vezes injustiçados? Em algum momento desequilibramos tudo. Mesmo sendo em outra vida.
Entendo que trazer a consciência é o primeiro passo, querer ressignificar e mudar de rota.
E você o que pensa a respeito?

A vida traz vivências muito interessantes, a umas duas semanas recebi um presente, uma orquídea que está comigo a mais de ano, floriu pertinho do meu aniversário, a sensação é ter recebido um presente, lindo e perfumado. A natureza sempre ensina, molhei por meses, cuidei dela, e após esse período recebi essa lindeza. Lembrei do dar e receber, para receber é preciso dar atenção, água, plantar para depois colher, e o tempo para isso não é o nosso “para ontem”, é um ritmo diferente, sinto que quero cada vez mais me adaptar a pulsação da natureza, as Leis da Vida.
“És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo, tempo, tempo, tempo
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo, tempo, tempo, tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Peço -te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo
Quando o tempo for propício
Tempo, tempo, tempo, tempo
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo, tempo, tempo, tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo, tempo, tempo, tempo
O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Apenas contigo e ‘migo
Tempo, tempo, tempo, tempo
E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Não serei, nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo
Ainda assim, acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
Portanto, peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo, tempo, tempo, tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo, tempo, tempo, tempo”
Música Oração ao Tempo
Canção de A Outra Banda da Terra e Caetano Veloso
Tem músicas que tocam fundo nas cordas da alma, essa para mim é uma dessas músicas especiais, cantadas por Maria Bethânia, muito única.
“E eu espalhe benefícios…” eu sinto essa frase como parte de meu propósito de vida. E você o que sente quando escuta essa música?
“Amanhã será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar,
Amanhã redobrada a força
Pra cima que não cessa
Há de vingar
Amanhã , mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro rei vai brilhar
Amanhã a luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar, há de imperar
Amanhã está toda a esperança
Por menor que pareça
O que existe é pra vicejar
Amanhã , apesar de hoje
Ser a estrada que surge
Pra se trilhar
Amanhã, mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar
Amanhã ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno, será pleno”
Música de Guilherme Arantes.
Ele é um músico com letras lindíssimas, muito poéticas, sempre gostei, desde criança. Essa música quando escutei, me causou uma sensação muito forte, impactou profundamente. É um hino à esperança, à uma nova era que irá chegar, a luminosidade alheia à vontade humana, que imperara acima de tudo!☀️ 🌷🌷
“É impressionante como todos adquirem uma verdadeira “antena” captadora da verdade quando se aproximam da morte e experimentam o sofrimento da finitude. Parecem oráculos. Sabem tudo o que realmente importa nessa vida com uma lucidez incrível. Como recebem acesso direto à própria essência, desenvolvem a capacidade de ver a essência das pessoas a sua volta.” Ana Claudia Quintana Arantes Livro: A morte é um dia que vale a pena viver
Recebi esse livro de presente, achei ele de uma profundidade em vivências, muito grande. Por isso vou compartilhar alguns trechos. Remédios amargos normalmente são os que curam.
Porque a maioria de nós, deixa para perceber o que é realmente essencial em momentos cruciais? Porque temos que continuar no piloto automático, seguindo uma rotina sem calor, sem vida? Para nos arrependermos no fim da nossa jornada?
O tempo de mudança de chave é AGORA!!
“O ser humano procura e pesquisa em todos os campos! Fala-se acertadamente sobre o desejo e a sede de querer saber. Praticamente quase não existe nada que ele já não tenha investigado. O ser humano terreno deseja descobrir e esclarecer tudo, menos a sua vida e a sua existência.”
Roselis von Sass, Fios do Destino Determinam a Vida Humana
Em casa, observo uma pequena tigela de cobre feita com relevos decorativos, cunhados à dança de um martelo. O objeto bastante artesanal poderia passar despercebido, não fosse meu olhar atento e algo demorado depositado nele quase sempre.
Provavelmente gerações de nossos antepassados teriam feito algo muito melhor, ainda nos tempos em que dormíamos em cabanas fincadas em clareiras na floresta e o modo de vida poderia ser chamado de pré-histórico.
Ainda assim, aquela simples tigelinha guardava um significado especial para mim: eu mesma havia feito o artefato quando jovem.
Lidar com metais não me transformou em artífice no assunto, mas manusear aquele material em transformação me trouxe uma experiência vivencial importante, que me seria útil mais tarde e ao longo da vida.
A maleabilidade do cobre, seu brilho, textura e até mesmo cheiro deixaram impressões. Talvez um dos aspectos mais interessantes de sua lida fosse uma singular flexibilidade, sem dar cabo de sua estrutura e certa firmeza. Mais resistente e durável que uma tigela de madeira ou cerâmica, ele era firme e ao mesmo tempo se deixava moldar facilmente por uma força superior. Também tinha uma excelente condutividade de energia, recebendo e transmitindo-a com muita facilidade.
Foram algumas horas manuseando o metal até que uma simples chapa, atordoada por um martelo insistente, se transformasse em um durável recipiente, que resistiria aos séculos. Enquanto minhas mãos aprendiam o caminho para lidar com o recurso, toda a vivência imprimia algo de próprio em mim.
Muitos anos depois, ao ser colocada diante do conceito de flexibilidade e da capacidade de se alinhar aos movimentos exigidos pela vida, sem abrir mão de nossa força e estrutura, a imagem da tigelinha surgiu de repente, clara e nítida. Eu não só sabia o que significava aquilo: eu havia experimentado o significado, de forma bastante material, visível, concreta e compreensível. Palpável.
A tigelinha repousava quieta enquanto eu ainda olhava para ela. Condutividade… Capacidade de receber… Se moldar… Se movimentar sem quebrar… Ter estrutura.
Divaguei por muitos outros metais, pedras, animais, plantas, invenções… Como era importante algum conhecimento das “coisas do mundo”. Que fascinante conhecer todas elas, pensei. Todas as flores, todas as químicas, todas as línguas, todas as experiências interessantes na matéria. Mas espere. Havia tempo para tudo isso, ao menos nesta vida? Provavelmente não.
As “coisas do mundo” são algo muito engraçado. Muitas pessoas não se interessam por seu brilho, deixando-as de lado, como um prato aparentemente insosso que não tem nada demais a oferecer. “Nada demais?” pensei, aturdida pela riqueza de detalhes que nos escapam do contato mais aprofundado com a vida todos os dias.
No entanto, todo esse brilho ainda me espreitava, ardente, como se quisesse ainda dizer algo. Perigo? Perigo.
Seguir o rastro das “coisas do mundo” sem freios e com mera curiosidade vã, podia ser um caminho sem volta.
Há tantos jornais para ler, tantas ideias para ouvir, tantos sabores a se deleitar, tantas teorias sobre o mercado ou tecnologias novas para conhecer, que chega a ser fácil se levar sem retorno pelas coisas dessa matéria.
Essa ânsia, quando guiada somente por um raciocínio curioso e entediado, longe de ser um conhecimento saudável e construtivo, parece atuar como uma estranha sede que nunca se satisfaz.
São como brilhos e luzes na mata densa que podem nos distrair com gracejos, curiosidades, diversões, chamadas e notícias sem fim que atraem nossa atenção – e facilmente nos fazem esquecer o caminho da jornada.
As “coisas do mundo” são intrigantes ferramentas feitas ao feitio das Leis da Criação. Ao bom observador, proporcionam um mergulho proveitoso e necessário para expansão da sabedoria e dos limites da alma. Ao mergulhador descuidado, no entanto, se transformam em armadilha abissal: atraído constantemente pelo fosforescente brilho, ele petisca cada vez mais fundo enquanto seu oxigênio vital se esgota; atingindo assim profundidades realmente perigosas para o mergulho humano na matéria.
Caroline Derschner
Blog: O Vaga-Lume
“ Não existe caminho mais bonito, do que aquele que te leva de volta até você ❤️“
Omi Tutu
